INOVAÇÃO NA GESTÃO: GESTÃO BASEADA EM TIMES DE TRABALHO
Rubens José Covello Superintendente IQG
Como as empresas mais bem sucedidas de amanhã serão organizadas e administradas? Que práticas de gestão novas e heterodoxas irão diferenciar estas instituições? Como as instituições conseguiram mobilizar e organizar os esforços humanos?
A gestão é a capacidade de mobilizar recursos, traçar planos, programar o trabalho e estimular esforços – estas ações são fundamentais para realização dos objetivos do ser humano e das instituições.
Quando ela é menos eficaz do que poderia ser, ou precisa ser, todos pagam o preço.
O que restringe o desempenho de uma organização não é o modelo de negócios, muito menos o modelo operacional, mas sim o modelo de gestão.
A inovação em gestão tem a capacidade única de criar vantagem de longo prazo para as empresas. As novas e poderosas ferramentas de comunicação permitiram as instituições a se tornarem menos controladoras e mais criativas.
Os padrões estabelecidos no modelo de Acreditação Canadense trazem uma inovação no modo de pensar a gestão para as instituições de saúde que pretendem incorporar o modelo como uma prática inovadora de gestão.
Historicamente, as hierarquias têm sido boas para agregar esforços e coordenar atividades de muitas pessoas com funções amplamente diferentes. Mas a mesma não é boa para mobilizar a capacidade humana, os Times* superam as burocracias em desempenho.
Isso ocorre por várias razões. Na burocracia, a base de troca é contratual – você é pago para fazer o que lhe é designado. Em um Time, a troca é voluntária – você dá seu trabalho pela oportunidade de fazer a diferença ou exercitar seus talentos. Em uma burocracia você é um fator de produção. Em um Time, é parceiro em uma causa.
Na burocracia, “lealdade” é produto da dependência econômica. Nos Times, dedicação e comprometimento baseiam-se em nossa afiliação às metas e aos objetivos do sistema.
Quando o assunto é supervisão e controle, as burocracias dependem de múltiplos níveis de gestão e de um conjunto de políticas e regras. Quanto mais apertadas as algemas das políticas e dos processos, menos apaixonadas as pessoas serão pelo seu talento. As contribuições individuais costumam ser aconselhadas na burocracia – o pessoal de marketing trabalha nos planos de marketing, o pessoal do financeiro calcula os resultados financeiros.
Os times, em contrapartida, dependem de normas, valores e do estímulo gentil de cada participante. Em um time, a capacidade e a disposição são mais importantes que credenciais e descrições de cargos para determinar quem faz o quê. Enquanto as recompensas na burocracia são financeiras, nos times elas são sobretudo emocionais. Quando comparados com a burocracia, os times costumam ser subadministrados. Isso, mais do que qualquer outra coisa, é a razão de eles serem ampliadores da capacidade humana.
As Instituições dispostas a trabalhar o modelo inovador de gestão proposto pelo modelo Canadense de Acreditação terão que criar através do Time da Liderança** um programa de inovação para gestão que deverá trabalhar a cultura para implantação de:
1. Como se pode aumentar o âmbito da liberdade dos colaboradores com menos gestão, sem sacrificar o objetivo, a disciplina e a ordem?
2. Como se pode construir uma empresa em que o espírito de time, e não a máquina burocrática, una as pessoas?
3. Como se pode ampliar o sentido de missão percebido pelos colaboradores em toda empresa, de maneira que justifique uma contribuição extraordinária?
Exercitar a cultura da inovação e olhando para o futuro este método deve se confirmar como uma prática validada de gestão nos próximos anos.
Diversas pesquisas evidenciam o processo de formação de times:
Lawler, Mohrman e Ledford Apud Marx (1998 ), por exemplo, estudando uma amostra formada pelas mil maiores empresas mundiais citadas pela revista Fortune, concluem que 46% delas utilizam-se dos chamados times autogeridos, embora em média tais processos envolvessem somente 20% dos colaboradores diretos.
Dados semelhantes são mostrados por Osterman Apud Marx (1998 ), que segundo pesquisa desenvolvida em 694 empresas norte-americanas, no geral, 54% afirmam possuir esquemas de organização de trabalho baseado em times.
Na França, uma pesquisa nacional chegou aos seguintes resultados: 39% das empresas com mais de 50 colaboradores desenvolvem times multidisciplinares que funcionam com metas bem definidas.
O objetivo de um time é a melhora dos índices de produtividade, custo, flexibilidade, tempo, inovação e qualidade. Entre os objetivos, tem-se ainda a redução e simplificação das categorias funcionais, aumento da habilidade par atrair e reter talentos e muitas outras capacitações conforme o amadurecimento do time.
Além destes objetivos tem-se a razão primordial dos times na prestação de serviços de saúde que é garantir a segurança e atender as expectativas dos clientes.