A importância do Raciocínio Clínico em tempos de Pandemia

PLANEJAMENTO E PROJETO DO ATENDIMENTO

Em tempos de pandemia, o aumento súbito e crescente da demanda por atendimentos nas unidades de pronto atendimento, urgência e emergência pode comprometer a entrega mais preciosa de valor para o paciente e o sistema: a estrutura do raciocínio clínico.

Mesmo diante desse cenário, a tomada de decisão clínica ainda precisam ser baseadas nos princípios bioéticos da beneficência, autonomia, justiça e equidade.

Políticas públicas protecionistas da economia em detrimento da população podem estar levando os pacientes a chegarem tardiamente ao atendimento. É preciso definir critérios claros para a priorização dos atendimentos por perfil de risco. Não existe abordagem única baseada apenas em sintomas. É preciso direcionar a estratégia para paciente com COVID-19 e não somente para a doença COVID-19.

O medo de errar e/ou de se contaminar, têm levado muitas vezes os profissionais da linha de frente a identificarem todos os pacientes como sendo vítimas do COVID-19. Isso, sem dúvida, é até uma premissa. Mas, não pode bastar.

Dentro da lógica do raciocínio clínico precisamos manter sempre a sequência de modelos mentais mais assertivos e completos, que busquem de forma ágil a obtenção de Informações Subjetivas (anamnese), Objetivas (Exame Físico), Análise (Hipótese Diagnóstica, Diagnósticos associados e Diagnóstico Diferencial) e Plano (Estratégias para a abordagem Diagnóstica e Terapêutica).

Dentro desse contexto, os papéis e responsabilidades de toda a equipe da linha de frente – triagem, classificação de risco e atendimento médico – precisam estar muito bem definidos, para que a tomada de decisão seja ágil, sem retrabalho, sem desperdícios e que o cuidado possa ser efetivamente coordenado, integrado e centrado no paciente. A comunicação é fundamental e os registros imprescindíveis.

Sabemos que a pressão é grande e o tempo é curto, mas todo profissional da linha de frente precisa ter sempre em mente as seguintes perguntas:

  • Pode não ser COVID-19?
  • Pode haver alguma outra comorbidade se descompensando pelo COVID-19?
  • Quais fatores coadjuvantes podem estar contribuindo para o atual estágio de evolução da doença?

Essa atitude pode salvar muitas vidas.

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1 Comentário. Deixe novo

Dario Manoel Martins
2 de maio de 2020 21:14

Excelente conteúdo

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