Serviços de Atendimento Móvel – Biossegurança no contexto da COVID-19

A importância da biossegurança

Estudos mostram que frequentemente as unidades móveis são contaminadas por microrganismos durante o transporte de pacientes, o que pode levar a transmissão dos pacientes subsequentes e da equipe que realiza o atendimento.

Segundo a ANVISA, as infecções relacionadas à assistência à saúde representam um risco substancial à segurança do paciente, logo, falhas nos processos de limpeza e desinfecção de superfícies podem ter como consequência a disseminação e transferência de microrganismos nos diversos ambientes dos serviços de saúde.

Nesse momento de pandemia, é esperado um aumento no número de ocorrências pré-hospitalares e/ou de transportes inter-hospitalares. Assim, a transmissão por contaminação cruzada secundária deve ser uma preocupação e pode se tornar um problema crítico na contaminação de pacientes. O uso adequado de EPI’s é de extrema importância durante o transporte, bem como, a sua higienização dos veículos nos pós atendimento.

Medidas de controle no atendimento pré-hospitalar móvel de urgência

 

  1. Todos os casos suspeitos, prováveis e confirmados de Covid-19 atendidos no pré-hospitalar devem ser transportados para a rede referenciada;
  2. Oferecer máscara cirúrgica ao paciente durante o atendimento e deslocamento se tolerado, bem como orientá-lo a cobrir o nariz e boca, de preferência com lenço ou papel toalha descartável ao tossir, espirrar ou ao assoar o nariz – recomendar o pronto descarte do lenço ou papel toalha na lixeira após sua utilização e a frequente higienização das mãos pelo paciente com álcool gel;
  3. Durante o transporte, a ambulância deverá estar com as janelas abertas, para garantir boas ventilação, mantendo o ambiente sempre ventilado;
  4. O mínimo possível de pessoas deve entrar em contato com o paciente. Deste modo, não será permitida presença de acompanhantes, exceto nos casos previstos em lei;
  5. Durante o atendimento, os profissionais de saúde devem utilizar EPIs conforme recomendado na tabela 2.
  6. A limpeza terminal da ambulância deverá ser realizada após cada atendimento de caso suspeito, provável ou confirmado de Covid-19;
  7. A limpeza do ambiente da ambulância após o atendimento de caso suspeito, provável ou confirmado de Covid-19 é muito importante para reduzir o risco de transmissão cruzada da doença para a equipe de socorro e para outros pacientes atendidos nesta viatura.

O novo Coronavírus possui um invólucro proteico, o capsídeo lipídico, que o torna particularmente sensível aos desinfetantes. Existem evidências de que o vírus efetivamente se inativa com procedimentos apropriados que incluem o uso de desinfetantes comuns em unidades de assistência à saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere que a limpeza completa das superfícies do ambiente seja realizada com água e detergente de uso hospitalar, seguida da aplicação de desinfetantes comumente usados em instituições de saúde”.

  1. As orientações sobre a limpeza e a desinfecção de superfícies em contato com pacientes com suspeita ou infecção pelo novo Coronavírus são as mesmas utilizadas para outros tipos de doenças respiratórias. Os artigos, produtos e equipamentos de saúde devem ser de uso exclusivo dos pacientes, devendo ser realizada higienização e desinfecção conforme recomendações para o uso compartilhado, evitando a transmissão cruzada do vírus. Para casos sem suspeita de COVID-19, sem epidemiologia e sem sintomas respiratórios, é realizada a desinfecção usual.

Os equipamentos disponíveis na ambulância (exemplo estetoscópio, esfigmomanômetro) deverão ser desinfetados após o uso; conforme recomendado na tabela 1.

  1. Antes de iniciar o procedimento de limpeza, abrir as portas da ambulância para permitir maior ventilação do ambiente.

Limpeza e desinfecção

 As atribuições do serviço de limpeza e desinfecção de superfícies nos serviços de saúde pode variar de acordo com a área e as características do local onde a higienização será realizada, além do modelo de gestão em vigor aplicado ao serviço em questão.

O Serviço de Limpeza e Desinfecção engloba a limpeza, desinfecção e conservação das superfícies fixas e equipamentos permanentes, objetivando preparar o ambiente, manter a ordem e conservar equipamentos e instalações, evitando principalmente a disseminação de microrganismos.

A técnica de realização da limpeza é a mesma para a limpeza concorrente e terminal, sendo a última diferenciada por ser mais minuciosa quando ocorre a limpeza de todas as superfícies, materiais e equipamentos da viatura.

A varredura e espanação seca devem ser evitadas, visto que podem espalhar para no ar e nas superfícies limpas, poeira, matéria estranha e microrganismos. Essa limpeza deve ser feita da parte com menor sujidade (contaminação) para a de maior sujidade, sempre em movimentos unidirecionais, do mais distante para o mais próximo, e não em movimentos circulares, pois este apenas espalha a sujidade, dificultando sua retirada.


Forma correta de limpeza
*Fonte: Manual operacional de bombeiros: resgate pré-hospitalar /Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás. – Goiânia: – 2016

A limpeza concorrente é realizada entre um atendimento e outro, com a finalidade de limpar e organizar o ambiente, repor os materiais de consumo e recolher os resíduos de acordo com a sua classificação. Ainda, durante a realização da limpeza concorrente é possível a detecção de materiais e equipamentos não funcionantes.

As superfícies, onde o contato com as mãos é maior, recomenda-se o aumento da frequência de limpeza, e em casos específicos (precaução de contato) recomenda-se a limpeza seguida de desinfecção. Para superfícies onde o grau de contato com as mãos é menor, a recomendação é apenas limpeza com solução detergente.

A limpeza terminal deve ser uma limpeza mais completa, incluindo todas as superfícies horizontais e verticais, internas e externas. O procedimento inclui a limpeza de paredes, pisos, teto, painel de gases, equipamentos, todos os mobiliários.

O processo com o piso é o mesmo nos dois tipos de limpeza. Todas as partes da viatura devem ser limpas e desinfetadas, inclusive vidros, maçanetas etc.      

Em caso de presença de grande quantidade de matéria orgânica, deve-se retirar o excesso com auxílio de pano ou papel toalha e higienizar o local conforme recomendações vigentes. Especificamente a prancha longa pode ser lavada com água em abundância, desde que em local adequado.

Tabela 1. Limpeza e desinfecção

Recomendações de equipamentos de proteção individual a serem utilizados para a prevenção e controle da disseminação do SARS-CoV-2 (COVID-19), de acordo com o ambiente, alvo e tipo de atividade.

Tabela 2. Tipos de equipamentos de proteção individual recomendados no contexto do covid-19.



Fonte: Protocolo de Manejo Clínico para o Novo Coronavírus, Brasil – Ministério da Saúde.
*Em adição ao uso apropriado de EPIs, a higiene frequente das mãos e respiratória deve sempre ser realizada. O EPI deve ser descartado em um container apropriado após cada uso e a higiene das mãos deve ser feita antes e após o uso de cada EPI.

Após o término do horário do plantão de serviço, o profissional socorrista deverá efetuar a lavagem de todas as peças de uniforme/fardamento utilizados durante o turno de serviço.

Essas deverão ser higienizadas isoladamente, sem contato com as demais peças de roupas da família. Caso haja sangue e outros fluidos corporais, é necessária a desinfecção da lavadora após a lavagem. Promove-se um ciclo completo da lavadora com capacidade máxima de água e água sanitária.

Por fim, ratificamos a importância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, devendo este manter-se organizado e preparado com suas equipes completas e orientadas, viaturas e equipamentos de prontidão para atendimento de um possível caso suspeito ou confirmado de infecção humana pelo COVID-19.

REFERÊNCIAS

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Medidas preventivas de segurança e combate à Covid-19 do Hospital Santa Izabel – BA
Hospital São Luiz Jabaquara

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