Não podemos pensar de forma linear em um mundo exponencial.

A situação atual na área da saúde fornece uma lupa para aspectos críticos da capacidade das organizações de continuar suas operações comerciais e clínicas após esta crise.

Organizações com propósitos e legados indefinidos  correm sérios riscos de sobrevivência no pós-Covid-19.

O sistema tradicional e ainda mais prevalente de remuneração na área da saúde  é o “fee for service”, modelo hospitalocêntrico baseado no pagamento por serviço executado, que incentivou  e incentiva médicos a solicitar mais exames e procedimentos, muitas vezes sem indicação. Essa  forma de pagamento da assistência, funcionou até agora, não vai existir mais.

O incentivo aos cuidados de promoção e prevenção à saúde, redução de estadias hospitalares, diminuição da procura pelo serviços de emergência e o investimento em novos arranjos  de remuneração farão parte do novo cenário do sistema de saúde.

Ainda teremos muitos desafios no que diz respeito à operação destas novas organizações, afinal os compradores de serviços estão deixando claro que este é um caminho sem volta. É improvável que os prestadores de serviços vejam de imediato os resultados e a economia de custos ao implementar uma plataforma de coordenação de atendimento.

Sabemos que é necessário tempo e motivação para que estas alterações sejam feitas e que possam impactar em economias reais e melhorias na qualidade e segurança do paciente. Acreditamos que esta transformação na assistência estará orientada para o uso racional e apropriado dos recursos,  melhoraria da qualidade do serviço e da satisfação e experiência dos usuários, melhorando consequentemente a saúde da população.

 O Novo Cenário

Uma inovação é a implementação de um produto, bem ou serviço novo ou significativamente melhorado. O novo cenário será construído em torno de melhores dados. Essas novas soluções deverão fornecer dados seguros e em tempo real que possibilitem responder questões sociais que impactam diretamente na saúde da população:

  1. De que modo os determinantes sociais interferem na conduta dos sujeitos, trazendo-lhes perigo?
  2. Como se dá a associação entre indicadores psicológicos e sociais com o avanço das doenças?
  3. De que maneira os elementos do campo social e do comportamento determinam a doença?

Estamos falando de uma transformação tecnológica. As perspectivas de sustentabilidade dos serviços de saúde passam por desenvolver sérias estratégias para se beneficiar da Revolução Digital.

A chamada Revolução Digital facilita o avanço de inovações disruptivas cada vez mais amplas e rápidas, gerando novas oportunidades para a estabilidade do sistema de saúde no Brasil. As ferramentas analíticas atuais não são suficientes para acompanhar a disrupção para o cenário emergente.

É fundamental que os tomadores de decisões estejam cada vez mais envolvidos e conscientes de que o futuro e a sustentabilidade do sistema estão no mundo digital. A questão é como definir as melhores estratégias para coordenar o planejamento e as ações em busca de maior eficiência, agilidade e transparência na implementação de uma agenda de inovação digital.

A grande questão é: como fazer? Antes de mais nada, adotar um modelo mental disruptivo e entender que nem mesmo um profundo conhecimento da indústria da saúde fará com que seja disruptivo, pois a tendência é limitar nossa criatividade aos limites atuais, impostos pelo cenário que conhecemos. A dificuldade de estudar essas transformações está em saber até que ponto as tecnologias farão pequenas mudanças ou uma grande onda capaz de varrer  todo o ecossistema.

As novas tecnologias devem impactar a configuração dos serviços de saúde, tanto na disponibilidade de novos aparelhos, dispositivos e processos de intervenção direta com os pacientes, quanto na configuração de modelos de negócios.

A agenda para melhorar é urgente. O tema exige senso de urgência.

O conceito de cadeia de valor representa o conjunto de atividades desempenhadas por uma organização, desde as relações com os fornecedores e ciclos de produção e venda até à fase da distribuição final.

Este é o futuro para a redução dos custos com a saúde, não diminuir o reembolso e não dificultar o acesso a utilização do sistema, mas investir em cuidados de promoção e prevenção de qualidade, focados em cuidar da saúde e não da doença.

A liderança de custo e a diferenciação pela qualidade, acrescem valor ao produto e/ou serviço e proporcionam vantagem competitiva à organização.

Criando o Novo Normal – A Reforma do Sistema de Saúde Pós Pandemia
The Future of Brazilian Health Systems

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