O Futuro do Sistema de Saúde Brasileiro

Inovação não é uma opção – é uma REALIDADE  

Há muita incerteza no momento, mas um fato está comprovado, teremos que fazer mais com menos.

Onde estamos agora?

Os atuais sistemas de saúde são essencialmente sistemas de assistência médica, construídos em meados do século passado. Embora tenha havido um tremendo progresso no diagnóstico e tratamento, a prestação de cuidados não mudou muito estruturalmente. Ainda é prestado entre paredes de tijolos e argamassa onde as pessoas que estão doentes ou gravemente doentes passam a ser vistas e tratadas por pessoal altamente treinado. Este sistema não foi projetado para lidar com o enorme crescimento de doenças crônicas, que agora representa bem mais de 80% de todos os gastos com saúde.

Atualmente as pressões no dia a dia na sociedade, deixa pouco tempo para que o individuo olhe para sua saúde, o sistema atual saúde tornou-se nos últimos anos um sistema hospitalocêntrico, funcionando como um modelo “one stop shop”, o médico assistencial ou médico da família praticamente foi substituído por algumas horas de espera no pronto atendimento.

A formação médica cada vez mais generalista, fazendo com que as instituições invistam em alta tecnologia e diversidade de mão de obra no seu corpo técnico, sem levar em consideração a sua própria demanda ou mesmo o perfil de suas carteiras.

Que mudanças estão por vir?

Tudo será diferente daqui para frente. Aprendemos de maneira dura com esta crise, mas, precisamos começar a olhar os cuidados de saúde da perspectiva dos usuários. Entender os fatores sociais que afetam as condições crônicas, para que possam desempenhar um papel mais ativo no gerenciamento. Envolver-se com a preservação da saúde e não apenas com o cuidado da doença, apoiando-os e treinando-os em relação ao sono, alimentação, fumo, bebida e exercícios, bem como a todos os aspectos do gerenciamento adequado de sua condição de saúde. O objetivo é mantê-los proativamente bem, em vez de reagir quando adoecem.
Não é apenas dizer a eles o que fazer (a maioria das pessoas que fumam sabe que isso é ruim para a saúde), mas realmente envolvê-los, fornecendo tecnologia inteligente para que  possam ser monitorados de perto. Eles podem usar dispositivos que medem constantemente os níveis de frequência cardíaca, pressão arterial, respiração, peso ou atividade.
Esses dados podem ser transmitidos a partir do dispositivo ou aplicativo para um smartphone e processados ​​por algoritmos que mostram como a saúde deles está evoluindo. Os padrões criados podem mostrar que é necessária intervenção ou que essa pessoa pode, por exemplo, estar em risco. Tanto a pessoa como a equipe de atendimento remoto podem monitorar sua saúde.  Os “centros de atendimento” podem atuar como um centro de controle de voo, observando a saúde da população, com base em uma combinação de informações de fluxo dos usuários e registros de saúde que eles mantêm. Esses hubs podem ajudar os usuários cujos dados indicam a necessidade de suporte, seja por uma consulta em vídeo bidirecional ou por uma avaliação presencial.

Toda essa mudança cultural contribuirá para o equilíbrio e sustentabilidade do sistema de saúde público e privado, mudando em algumas linhas de cuidado a forma e o modelo de remuneração, ou seja, desfecho clínico passa a ter grande importância nesse novo modelo.

Como será o futuro?

Nossa visão de futuro é aquela em que, por exemplo, um clínico geral usa o ultrassom do tablet para fazer um filme do coração palpitante de um usuário. Quando as irregularidades são observadas, o clínico geral compartilha isso imediatamente com um cardiologista para avaliar e estabelecer um plano de cuidados. Não é necessário marcar uma consulta em semanas ou meses – o problema pode ser resolvido em tempo real. É a isso que nos acostumamos ao reservar voos, fazer nossas finanças ou fazer compras online.

É um mundo em que alguém com uma condição crônica tem todos os seus dados vitais transmitidos para sua equipe de assistência, que provavelmente saberá antes do paciente que alguém precisa intervir para fornecer suporte ou tratamento.

Os pacientes ainda precisarão de especialistas com conhecimento especializado, mas o paciente e o especialista não precisam estar no mesmo espaço ao mesmo tempo. Uma rede de atendimento conectada significa que vários especialistas podem analisar o caso simultaneamente. Isso permitiria o diagnóstico precoce dos problemas de saúde, com monitoramento constante antes que eles se tornem mais graves.

Com o crescimento das tecnologias de monitoramento remoto , além dos registros convencionais de usuários, haverá maior ênfase na coleta e análise de grandes quantidades de dados. Isso dará suporte a medicamentos mais personalizados, onde o tratamento será adaptado individualmente para cada indivíduo.

Os hospitais serão menores, mais integrados e mais resolutivos aos demais níveis de atenção.

Os hospitais serão utilizados para pacientes com maior acuidade. O atendimento integrado ao paciente, com ênfase na prevenção e bem-estar, procedimentos menos invasivos e avanços na pesquisa acabarão por reduzir a demanda por hospitalizações.  A redundância será eliminada com a disponibilidade de áreas especializadas da medicina em um determinado raio, mas não necessariamente em cada unidade do sistema.

Hoje, o hospital é o centro de custos. No futuro deverá ser o último lugar para estar. O foco precisa estar na saúde da população, atenção primária e atendimento ambulatorial. Certamente haverá maior foco no bem-estar. Obviamente, é mais barato manter uma pessoa saudável do que atendê-la quando estiver doente.

Precisamos incorporar a preservação da saúde em nosso pensamento diário. A nova profissão na saúde será “Consultor em Planejamento Estratégico de Saúde e Bem estar Social”. Este profissional será responsável por um grupo da população onde serão criados ambientes que darão muito mais suporte ao atendimento em equipe, muito mais colaborativo. Os médicos lideram, mas não dominam. Os cuidados com a saúde serão verticalmente integrados e nem todos em um só lugar. E serão entregues em casa, em uma loja de varejo, no seu local de trabalho, em praticamente qualquer lugar.

A intensidade da tecnologia / dados serão cruciais

A TI é vista como “o facilitador”. A Telessaúde, os sistemas de monitoramento doméstico, os testes no ponto de atendimento, a EMR e o gerenciamento de dados terão impacto na infraestrutura e no espaço físico.
Nos próximos anos, a Telessaúde estará muito mais integrada aos cuidados de rotina, no consultório médico, na clínica e no hospital. Não é uma questão de se, mas quando. Temos que chegar lá para sobreviver.

Muitos sistemas pelo mundo já começaram a fazer as mudanças que os tornarão mais competitivos, independentemente dos impactos da pandemia. O consenso é que a saúde, como é praticada hoje, não é fiscalmente sustentável. Deve haver, e certamente haverá, mudanças transformadoras no sistema de saúde brasileiro.

Haverá uma nova apreciação da responsabilidade pessoal. É minha saúde, não sua. Temos que chegar lá. Espero que haja oportunidades para metodologias inovadoras e corajosas que possam levar a melhores práticas.

Estas serão práticas normais para o pós-pandemia.

Os cuidados em saúde bem planejados impulsionam a economia, e devem se tornar uma prioridade estratégica para as políticas públicas.

Hospital Santa Lúcia – Hospital do Coração Poços de Caldas
Criando o Novo Normal – A Reforma do Sistema de Saúde Pós Pandemia

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