O Papel da Liderança Pós Pandemia

Esta é mais uma crise mundial que expõem as qualidades, fraquezas de líderes, governos e instituições.

A reabertura do mercado, trará desafios importantes para o sistema de saúde, tais como:

  1. Continuar a tratar pacientes com COVID-19 e retomar os cuidados de pacientes com patologias não relacionados a mesma. Terão que voltar a fornecer o portfólio completo de serviços, a fim de preservar sua saúde financeira, mantendo ao mesmo tempo seu papel crítico em vencer a luta contra a COVID-19 e atender às necessidades de cuidados de saúde de suas carteiras.
  2. É preciso entender que a carteira sofrerá mudanças significativas ao reduzir o número de idosos (diminuição da receita) e aumentar a sinistralidade das demais faixas etárias (aumento do custo) – um importante desafio.
  3. Além das implicações econômicas, atrasos adicionais nos cuidados críticos – incluindo procedimentos eletivos, cuidados preventivos e de manutenção para condições crônicas e diagnósticos e exames importantes – terão impactos profundamente prejudiciais nos resultados de saúde.
  4. Considerando o novo perfil populacional, o momento inicial será focado em reabilitação e prevenção de novos agravos. Enquanto, paralelamente, se impõe um redesenho dos modelos assistenciais vigentes, agora focados na promoção da saúde através do fortalecimento da Atenção Primária.

A COVID-19 conscientizou todas as organizações dos limites de sua capacidade de aprender rapidamente em um ambiente extremamente veloz, no qual dias de hesitação podem causar grandes perturbações sociais. A resiliência não é mais uma preocupação teórica: as empresas se conscientizaram da fragilidade dos sistemas críticos dos quais dependem. E a crise gerou a necessidade de as empresas demonstrarem que seus objetivos e valores não são apenas palavras vazias escritas em cenários estáveis.

O que deve mudar nas prioridades das Liderança


Além de sublinhar os imperativos de longo prazo estabelecidos para o sucesso na próxima década, a pandemia desafiou os líderes a responder ao enorme desafio da transição – a necessidade de sair de uma situação econômica devastadora, para construir um caminho para o crescimento e a prosperidade.

Algumas empresas de saúde sobreviveram a este impacto de curto prazo e serão capazes de acessar opções de longo prazo. Mas, embora a sobrevivência possa estar no topo das prioridades, prosperar é um caminho longo. E isso exige que os líderes respondam a um novo ambiente, a um novo cliente e a expectativas sociais elevadas, a fim de liderar a saída desta crise.

O pós pandemia tornará as estratégia não mercadológicas mais proeminentes. A resiliência do sistema poderá ser criada apenas através da cooperação entre empresas e entre empresas e governos. A criação de redes de cooperação  deve direcionar o novo modelo de negócio na saúde, incluindo mais compartilhamento de capacidade e maior colaboração sobre maneiras de triar e equilibrar as demandas no atendimento. O uso racional dos recursos e a exigência da melhoria da saúde da população através de iniciativas de promoção e prevenção da saúde, devem nortear o redesenho de algumas estratégias. No entanto, o ecossistema atual não está configurado para esse tipo de cooperação.

“Fica evidente, agora, que a segmentação entre público e privado no SUS é uma falácia. As pessoas e suas necessidades em saúde não reconhecem muros e cercas. A interdependência entre o segmento público e privado é evidente. Não se constroem sistemas de saúde com muros. É mais do que chegada a hora de terminar com as “cercas” do SUS. A reforma da APS instituída em 2019 já caminha nessa direção. Temos que trazer tecnologia de informação para que as informações, os serviços/insumos/equipamentos e o financiamento sigam a trajetória clinica das pessoas. Inclusive quando elas atravessam as ‘fronteiras’ do segmento público e privado. Se não aproveitarmos a oportunidade para buscar um sistema de saúde realmente Único, em que os segmentos público e privado tenham homogeneidade de princípios e cooperem na busca por resultados em saúde perderemos a oportunidade de evoluir como sociedade”. Erno Harzheim – Secretário de Atenção Primária de Saúde ( SAPS ).

Liderando a Adversidade
Aproveite a oportunidade para desafiar as verdades absolutas, testar o novo, digitalizar tudo o que pode ser digitalizado, interromper o que deve ser descontinuado e começar o redesenhar do sistema.

Não haverá “retorno ao normal”.

É hora de reconhecer a importância do planejamento para o retorno. O retorno dos bloqueios não será fácil – principalmente porque continuamos vigilantes contra o ressurgimento em massa do vírus, na ausência de uma vacina ou tratamento específico.

Para alguns líderes, tem sido difícil dedicar muito tempo às discussões para a reforma. É provável que a pandemia resulte em uma série de mudanças descontínuas que remodelarão fundamentalmente os cuidados de saúde. Essas mudanças incluem:

  1. As expectativas e necessidades dos cidadãos;
  2. A combinação de resiliência e produtividade exigida pelos compradores e financiadores de serviços de saúde;
  3. A necessidade de flexibilizar e reduzir as estruturas físicas, introduzindo as plataformas virtuais de saúde.

Este é o momento em que os conselhos e CEOs provavelmente terão a maior oportunidade em suas carreiras para impactar positivamente suas organizações e as comunidades que servem. Esta oportunidade não deve ser desperdiçada. Os conselhos e CEOs devem priorizar a criação de um ambiente em que as decisões sejam tomadas com calma e com base em fatos e dados. Neste cenário de alto grau de incertezas, os líderes devem garantir que estejam ativamente sintonizados nas informações em tempo real de todos os níveis de sua organização, além das forças externas, para informar as decisões. Por fim, a capacidade de agir, inovar e executar em escala em velocidades inéditas provavelmente será crítica. Observamos alguns exemplos de organizações que aceleraram projetos agendados para levar meses e anos para um cronograma de alguns dias e semanas.

 O Novo Cliente

Com a doença controlada, as empresas precisarão iniciar a jornada para conquistar o novo cliente no mundo pós-crise.

É consenso que essa crise acelerou mudanças em curso há algum tempo. Essas mudanças devem alterar as atitudes, hábitos, comportamentos e padrões da demanda.

O aspecto mais complicado disso será distinguir entre mudanças de curto prazo induzidas pela crise e mudanças permanentes. As empresas precisarão detectar tendências emergentes analisando e observando-as para definição de novos modelos de negócio.

Para fazer isso, as empresas precisarão mudar seu mind set estratégico, ou seja, atualmente um produto é desenvolvido e as pessoas se adaptam a ele, o “novo” será entender a real necessidade de cada pessoa e oferecer produtos customizados.

Nesse cenário, duas tendências já estão claras:

  • A primeira é uma aceleração maciça para plataformas digitais.
  • A segunda será restaurar a confiança dos consumidores. Os serviços de saúde terão que implementar uma serie de novas medidas de segurança, assim como foi necessário para restaurar a confiança nas viagens aéreas após o atentado de 11 de setembro de 2001.

Acelere a Transformação Digital

A transformação digital que vinha sendo tratada de maneira discriminatória e com ritmo próprio, agora deve ser uma prioridade urgente.

À medida que as empresas se ajustam ao mundo pós-COVID-19, elas devem acelerar sua transformação digital. A primeira onda de programas de transformação digital revelou que eles são tão desafiadores quanto outros programas de mudança em larga escala. Estes programas precisam ser holísticos, focados na criação de valor e não predominantemente impulsionados pela tecnologia ou restritos pelos processos e ofertas existentes. As organizações precisarão ser redesenhadas para combinar engenhosidade humana com a inteligência artificial (aprendizado de máquina). As empresas devem se concentrar no lado humano da transformação digital tanto quanto no lado tecnológico, incorporando novas maneiras de prestar assistência à saúde.

O serviço de assistência à saúde do futuro será aquele que tiver um humano do outro lado para receber o paciente.

O Novo Profissional

 O reposicionamento de todos os profissionais da saúde, que impactam tanto no custo como nos resultados clínicos, é obrigatório para a sustentabilidade dos sistemas de saúde no mundo pós pandemia.

Cabe ao médico resgatar sua liderança clínica focada no paciente – e nos princípios da bioética – e não mais nos seus interesses pessoais. É sua responsabilidade construir planos terapêuticos individualizados com metas claras de curto, médio e longo prazo.

Cabe ao enfermeiro resgatar sua liderança assistencial, assumindo seu papel de gestor clínico e coordenador do cuidado integrado focado no paciente, quer na fase de promoção, quer na recuperação e manutenção do seu estado de saúde.

E aos demais profissionais cabe compreender, afinal, qual seu real papel no cuidado integrado, participando ativamente na estruturação e condução do projeto terapêutico.

Dentro deste novo posicionamento, a Saúde Virtual terá grande papel na acessibilidade do paciente aos serviços de promoção, prevenção e recuperação da saúde. Mas, não poderá nunca ser utilizada apenas como mais uma metodologia isolada de prestação de serviços profissionais. Saúde Virtual somente fará sentido se estruturada como uma importante etapa do cuidado integrado, durante a jornada de cada paciente.

São Cristóvão Saúde

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