Futuro da Saúde no Brasil pós-pandemia Covid-19

Prezado leitor, acreditamos que este texto trará mais perguntas para reflexões do que conclusões.

Não há dúvidas de que o Brasil sairá desta crise causada pelo Coronavírus; mas não sem grandes mudanças, o que também afetará o sistema de saúde. Para iniciar, duas perguntas precisam ser respondidas e são fundamentais  para a compreensão de como será a saúde no Brasil pós Covid19, sendo elas:

  1. Quais organizações sobreviverão?
  2. Quais serão as novas expectativas e exigências das pessoas no mundo pós Covid19?

Vamos nos permitir focar neste primeiro momento no sistema suplementar de saúde, afinal, por ser um tema principal tão amplo, teríamos de ter muito mais linhas para discorrer sobre tão denso assunto. E, em seguida, um pouco de revisão de conceito de “modus vivendi”.

É de notório saber que mais de 75% dos usuários do sistema privado estão vinculados a alguma entidade de natureza jurídica, o que nos leva aos seguintes questionamentos:

  • Quantas dessas empresas ainda sobreviverão ao cenário pós covid19?
  • Quantas dessas empresas terão o quadro reduzido de funcionários?
  • Quanto reduzirá o poder aquisitivo das pessoas?

O impacto direto destas premissas para com as operadoras de saúde é bastante grande, com a real possibilidade de redução de carteira, sejam estas: seguradoras, medicina de grupo, verticalizadas, atuantes no sistema low cost, autogestões e cooperativas.

Este movimento tende a gerar novas e profundas atitudes por parte dos compradores, possibilitando a inserção de novos cenários, tais como:

  • Verticalização de serviços de saúde;
  • Utilização ostensiva da telemedicina;
  • Uso assertivo de inteligência artificial e “internet das coisas”;
  • Revisão de rede

Por obvio, o agente seguinte da cadeia é o prestador de serviço (hospitais, médicos, serviços de diagnóstico e tratamento) que necessitarão se reinventar rapidamente, em decorrência dos fatores acima imaginados.

Prestar serviços intensificando projetos inovadores, atuar fortemente no escopo de valor e acesso, focar nos melhores desfechos clínicos e encantar ainda  mais os pacientes e seus familiares, são apenas alguns dos pilares mestres do novo modo de prestar serviços de alta qualidade.

Por conseguinte, o principal elo desta cadeia: o paciente, terá novas expectativas para com o mundo pós covid19, onde o distanciamento social passará a fazer parte do cotidiano e que conflitará fortemente com a necessidade cada vez mais preemente das pessoas se tocarem e/ou diminuírem suas carências afetivas.

É  de  se  ponderar  que  passaremos  de  um  mundo  VUCA  para  um mundo

CESB;   até   ontem   vivíamos   num   mundo   sendo   VUCA   (Volátil,  Incerto{uncertain}, Complexo e Ambíguo).

  • Volátil: porque nos trazia a natureza dinâmica das mudanças, acompanhada por uma velocidade nada constante;
  • Incerto: Ora, por que pouco se tinha sobre certezas, em especial quando se tem à frente informações rasas ou suposições insensatas. Nada, ou quase nada, é previsível no mundo
  • Complexo: Num mundo cada vez mais interdependente, a complexidade ganhou asas, trazendo inúmeras variáveis para o jogo, para a tomada de decisão.
  • Ambíguo: a ambiguidade é irmã da falta de clareza e da concretude, o que levava à multiplicidade de análises e interpretações.

Todavia, uma nova percepção de mundo está surgindo, onde as pessoas estão a se questionar, revendo valores, mudando suas prioridades, passando a enaltecer o que realmente importa para si e para aqueles que amam. Enfim, a valorizar a vida como deve ser vivida.

Em particular, acredito que viveremos num mundo CESB (sem a intenção de criar um novo acrônimo): Consensual, Equilibrado, Simples, Bem-aventurado.

No ambiente futuro as qualidades que deverão predominar são:

  • Consenso: a concordância e uniformidade de opiniões, norteada pelo bom-senso serão marcos dos novos tempos. O dissenso e os diversos conflitos tem nos entristecido e deixado perplexos com a inércia trazida pelos confrontos. O ser humano revisará seus conceitos e definirá que o senso comum é um alicerce importante da
  • Equilíbrio: A resultante das ações atuantes é zero, seja quando em momento estático ou dinâmico. Ou seja, por mais dificuldades que possamos sofrer, a resiliência adquirida trará a capacidade para nos mantermos íntegros, prontos para novos cenários e com visão positiva diante dos acontecimentos. Voltaremos com muito mais rapidez ao centro de nós
  • Simples: a simplicidade voltará a crescer, e muito, no cotidiano das nossas vidas. Um novo mundo onde “Menos é mais” está surgindo. Estávamos num círculo vicioso e insano de: mais carros, mais roupas, mais baladas, mais viagens, mais, mais… O objetivo maior, até ontem, parecia ser buscar intensamente em ter as melhores grifes, as maiores quantidades, para mostrar aos outros o quão importante você é (ou era). É chegado momento da humanidade sair da consciência de que tantas coisas materiais sejam necessárias. Acordarão para um modo mais simples e puro de se viver. A beleza da natureza, a importância da família, as diversas expressões de Deus em nossas vidas terão, novamente, seu real valor.
  • Bem-aventurança: em total relação com a felicidade, com o estado de espírito daqueles que estão em paz com Deus. A Felicidade constitui um dos verdadeiros sentidos da vida. Voltaremos a entender que pequenas coisas podem ser feitas com muito amor e que a paz começa com um simples sorriso. A humildade será uma das grandes

Bem-aventurados os que viverão num mundo CESB.

 Erickson Blun

Presidente do Hospital Vera Cruz de Campinas

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