Gestão em rede

As “Redes de atenção à saúde” tão brilhantemente defendida por Eugenio Villaça Mendes, tornaram-se o objetivo do sistema público e, recentemente, também do sistema privado. Alguns grandes hospitais privados (filantrópicos ou não) partiram para a assistência primária em saúde entendendo que estes equipamentos de saúde isoladamente são incapazes de acompanhar as pessoas, mesmo no pós alta, porque não tem, ou não tinham, como foco o acompanhamento dos egressos. Isso tudo por muitos motivos, mas o que ressalta à reflexão é a transição epidemiológica que vem ocorrendo desde o início do século XXI. Passamos a observar a mudança das condições agudas para as condições crônicas. Inclusive mantivemos o termo “paciente” para os casos crônicos o que é um equívoco porque trata-se de pessoas que estão convivendo, trabalhando, se divertindo, viajando, apesar de serem diabéticos, hipertensos ou portadores de câncer, pois então, não podem ser considerados pacientes como antes concebíamos.

O conceito de redes de atenção veio dar fluência ao sistema na atenção à saúde porque transformou o indivíduo em centro das atenções com atividades integradas e complementares em todas as diferentes unidades, de saúde ou não, porque houve a benvinda integração com unidades de assistência social, dos assuntos referentes ao trabalho, e demais formas de organização da sociedade.

Falando agora da gestão de hospitais. A busca agora é para a “Gestão em rede”. O amadurecimento da gestão hospitalar passa por transformações profundas e difíceis de serem metabolizadas pelos gestores de modo geral. Parece que alguns dos processos internos dos hospitais, apenas porque tiveram muito sucesso até ontem, não podem sequer serem tocados. As teses da “Redes de atenção à saúde” já nos dão dicas fundamentais de como implantar o conceito, já com resultados positivos e expressivos que são relatados em pesquisas e livros.

Agora é a vez de se dar ênfase às redes internas para melhor gestão dos hospitais. Como passo inicial há que se compreender, o que tem um significado bastante simples: os hospitais não existem para internar pessoas, mas sim, para melhorar a qualidade de vida das pessoas, internar é um meio e não o fim. Caso contrário podemos nos transformar em vendedores de procedimentos e não de saúde. O segundo passo, e parece mais difícil, é refletir e propor soluções sobre os seguintes pontos:

  1. Estamos mais organizados para a atenção curativa ou reabilitadora e não para a gestão da saúde dos indivíduos portadores de doenças crônicas. Outra forma de falar, estamos mais voltados á atenção a pacientes do que a indivíduos;
  2. Fazemos a gestão de oferta e não de resultado e valor;
  3. Nossa organização interna é reativa;
  4. A organização ainda se dá por setores isolados, às vezes com pretensa integração sem reflexo real na prática;
  5. O hospital se organiza por níveis hierárquicos, que se preocupam em desenhar processos e procedimentos padrão, ao invés de fazer compreender o significado das entregas;
  6. Por fim, o já tão debatido pagamento por procedimento.

As repostas não estão na ponta da língua. E, possivelmente não serão únicas a depender da cultura de cada organização.

Dr. Antônio Antonietto

Diretor Médico do Hospital Vila Nova Star, presidente Comissão de Práticas Médicas do ICESP.

Resumption of elective surgery

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