O Futuro da saúde do Brasil pós Covid-19 – Relações com o mercado: médicos, usuários, empresas e operadoras. Oportunidade para avançar

Defendo que não seremos diferentes apenas no pós-pandemia da Covid-19. Nós já mudamos e vamos continuar nesse caminho a partir das decisões que estamos tomando a cada dia, conforme conhecemos melhor o nosso “inimigo comum”. A escolha, neste momento, está em como vamos evoluir e onde queremos chegar quando toda essa guerra terminar.

Em nosso setor, as alterações são importantes e ganharam velocidade diante da necessidade (ou da oportunidade). Veja, por exemplo, as consultas feitas remotamente, como forma de manter o cuidado com os pacientes, sem exposição ao risco de contágio. Há quanto tempo médicos, instituições, autoridades e entidades representativas da saúde estavam debatendo a implantação da telemedicina?

Contamos com tecnologias capazes de preservar o sigilo médico e, ao mesmo tempo, permitir o acesso remoto a informações e exames do paciente. As instituições investiram milhões de reais no armazenamento seguro e na gestão desses dados, em inteligência cognitiva e na oferta de atendimentos e tratamentos cada vez mais individualizados e com previsibilidade de custos.

Assim como estávamos prontos para progredir com o atendimento remoto, temos agora a oportunidade para evoluir na discussão mais ampla sobre a sustentabilidade do nosso setor, com um novo modelo de assistência e de entrega de valor para o paciente. Afinal, nos próximos meses – se levarmos em conta o represamento de procedimentos eletivos e de casos de doenças crônicas não tratadas durante a pandemia, que deverão retornar aos hospitais – teremos um aumento brutal da sinistralidade, com base no sistema fee for service.

Isso vale tanto para as operadoras quanto para as empresas que financiam os planos de saúde de seus funcionários. E terá forte reflexo no caixa dos prestadores. Dessa crise, precisamos sair com uma nova forma da gestão da saúde, que seja integral, com maior resolutividade e previsibilidade financeira, que olhe o paciente como um todo e não mais a partir de doenças ou eventos pontuais.

Cada paciente é único, com histórico pessoal e familiar, idade, doenças pré-existentes, condição socioeconômica e uma série de indicadores que precisam ser monitorados permanentemente. Para cada caso ou linha de cuidado, há uma atenção primária e secundária ambulatorial, diagnósticos complementares, um tipo de internação e, por fim, a possibilidade de assistência domiciliar, deixando para o ambiente hospitalar aquelas situações realmente necessárias.

É possível integrar esses indicadores com o uso de ferramentas já disponíveis, como tecnologia da informação, business inteligence, machine learning e análise de dados. Essa nova “navegação assistencial” é possível e está à distância de um acordo entre empresas, operadoras e prestadores para se concretizar.

A crise na saúde e na economia que vivemos tem evidenciado a solidariedade e a cooperação entre pessoas, empresas e as instituições públicas e privadas. Temos uma oportunidade única para debater e de lutar pela sustentabilidade da saúde suplementar.

Rodrigo Lopes

CEO do Grupo Leforte

Digital Assessment – IQG

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