O Papel do Conselho de Administração e do Líder

Até meses atrás, difícil era imaginar uma crise com tamanho abalo social, econômico e cultural da sociedade. Certamente não estava na pauta dos CEOs e dos Conselhos de Administração conduzirem uma crise com tamanha dimensão e impacto.

E ainda sem dominar o momento atual da Crise Covid-19, já são impulsionados a liderar instintivamente um futuro que tende a ter um desenho completamente incerto. A doença ora instalada no mundo, com reflexos sanitários e assistenciais incomparáveis, surpreendeu até mesmo a ciência. E as dimensões emocionais, culturais, sociais e econômicas comprometidas pelo desconhecimento dos efeitos resultantes desta pandemia, de fato devem motivar os Líderes e os Conselhos a irem além do planejamento pensado nos médio e longo prazos. No entanto, requer destes a sensibilidade para realizarem mudanças e adequações importantes nas empresas, para que estas floresçam em ambientes onde clientes e pessoas terão seus valores modificados.

A crise da Covid-19 traz desafios específicos para os Conselhos de Administração. Antes modelados para reuniões presenciais, com rituais marcantes de prestação de contas, assumem agora, um protagonismo maior na implementação de alternativas de alavancagem do negócio. Bem como, o propósito de se aproximarem ainda mais dos CEOs, por meio de reuniões virtuais, com ênfase nas estratégias de curto prazo, e com olhar dedicado à compreensão clara da necessidade de humanização das relações e dos processos organizacionais, onde os princípios culturais e as práticas cotidianas se unem para preservar a integridade física e emocional de seus colaboradores. Estes devem ser os guarda-chuvas sob os quais estarão alinhadas as ações dos líderes, independentemente das decisões difíceis – algumas inevitáveis – que terão que ser tomadas neste período, numa intervenção quase diária no planejamento e na condução das organizações.

A preocupação dos CEOs com o lado humano das organizações deve estar alinhada ao propósito de qualquer negócio, mas, com a Covid-19, está ainda mais latente. Ser um líder humano é estar pautado por compreensão empática da realidade alheia. É criar ambientes de segurança psicológica para todos os colaboradores. É estar disponível e comunicando clara e recorrentemente sobre as decisões tomadas pelas empresas.

Não se pode ter a ilusão de que sobreviver à crise será suficiente. Para muitos setores, o novo normal exigirá uma nova empresa, novos processos, produtos e propostas de valor e não haverá tempo de se esperar a crise passar para se entender quais serão estas as inovações necessárias. A crise atual veio para selecionar os melhores. É preciso pensar e construir, hoje, o seu futuro. Neste sentido, quanto mais fortes, conectados e visionários forem os Conselhos de Administração e os Líderes, e o quanto mais abertos estiverem para as mudanças, maiores as chances de se mitigar os riscos empresariais.

Assim sendo, cabe aos Conselhos e aos CEOs garantir que as empresas não sejam apenas reativas à crise, mas que se redesenhem para o futuro.

Luci Emidio

CEO do Hospital Santa Marta / Conselheira de Administração

Proper care for healthcare professionals

Publicações similares

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha esse campo
Preencha esse campo
Digite um endereço de e-mail válido.
Você precisa concordar com os termos para prosseguir

Menu