Telemedicina

No exterior a telemedicina é exercida, e regulamentada, em diversos países como por exemplo Portugal, Estados Unidos e Inglaterra.  Uma publicação de 2015 do Cochrane Database of Systematic Reviews  (que considerou 93 estudos elegíveis e um n. de 22.047 participantes) indica que o uso da Telemedicina no tratamento da insuficiência cardíaca parece levar a resultados de saúde semelhantes aos da assistência presencial ou por telefone e há evidências de que pode melhorar o controle da glicose no sangue em pacientes com diabetes.

Enquanto isso, até março de 2020, para os médicos e para a população brasileira, realizar atendimentos à distância ainda era uma atividade restrita pelos Conselhos Médicos. Apesar de permitida a teleconsulta apenas entre médicos, e o telediagnóstico para alguns métodos de imagem, os profissionais praticavam o teleatendimento informalmente, de maneira insegura e sem respaldo, através de orientações por chamadas telefônicas e mensagens em aplicativos de smartphones.

Neste cenário em que entidades médicas discutiam o assunto, sem alcançar um acordo, a vida real se sobrepôs ao planejamento. A pandemia do novo coronavírus (SARS Cov2, causador da Covid 19), que impactou a sociedade e a economia globalmente, obrigou a implantação do distanciamento e isolamento social dificultando o acesso das pessoas aos serviços de atenção primária e secundária. Ao mesmo tempo os pacientes foram orientados a evitar os serviços de urgência, pelo risco de exposição ao contágio e pela necessidade de manter os equipamentos de saúde focados no atendimento a pacientes com casos suspeitos de coronavírus.

Em 23 de março de 2020 o Ministério da Saúde publicou a Portaria nº 467, que autorizou a prática da Telemedicina tanto no âmbito público como privado, ao entender que esta é um recurso importante para garantir o acesso à saúde neste momento que é necessário reduzir deslocamentos e exposição das pessoas.

Há algum tempo a telemedicina estava em nosso radar porque entendemos essa ferramenta como essencial para manter o contato com o paciente e o cuidado em todas etapas. Com a publicação em Diário Oficial da medida do Ministério da Saúde, a Cia. da Consulta colocou o projeto em prática e iniciamos com a telemedicina, no principio específico para dúvidas e sintomas da Covid 19, e logo em seguida expandimos para as especialidades médicas, nutrição, psicologia e estamos estruturando fisioterapia e fonoaudiologia (hoje atendemos em 16 especialidades).

Em duas semanas nos organizamos para fornecer consultas médicas à distância. Nossa equipe de tecnologia desenvolveu uma plataforma própria de telechamada, que utiliza tecnologia WebRTC, e as ligações são encriptadas . Além disso é preciso garantir um prontuário eletrônico que atenda todas determinações de segurança da informação, e a certificação digital dos profissionais, o que garante a segurança na assinatura dos documentos e sua validade à distância. Nós utilizamos um sistema de prescrição de medicamentos integrado, que automaticamente envia as receitas para o celular do paciente por SMS, e que nas redes de farmácia pode ser verificado por um QR code (transmitindo diretamente a informação da receita e assinatura do médico).

Hoje contamos com 51 médicos que fazem o atendimento de telemedicina, a partir de seu domicílio. Fizemos a validação da rede de acesso e ambiente de atendimento com cada profissional para oferecer qualidade de conexão e de imagem. Mantemos uma equipe de apoio administrativo e de tecnologia para auxiliar esses profissionais à distância.

A adesão dos pacientes a esta modalidade de atendimento tem sido muito boa, e o NPS (Net Promoter Score) dos atendimentos online em maio foi de 88,3%. Conseguimos solucionar mais de 90% das demandas dos pacientes à distância, e utilizamos tecnologia para garantir o seguimento, com envio de receitas, solicitação de exames e declarações ou atestados, todos assinados pelo médico com certificação digital. Existem situações em que é necessário complementar a avaliação com uma consulta presencial, e temos protocolos clínicos que definem essas situações garantindo a segurança no atendimento. Nestes casos o paciente é informado e orientado a procurar a clínica e a equipe de apoio faz um monitoramento posterior para verificar se o paciente conseguiu dar sequencia ao cuidado.

As consultas por telemedicina na Cia. da Consulta começaram no final de março e temos ampliado a cada mês a capacidade de atendimentos e especialidades. No mês de maio disponibilizamos mais de 17.000 consultas e atendemos pacientes de 12 estados do Brasil (SP, RJ, CE, AM, SC, RS, DF, TO, RO, PE, MG e BA). As especialidades mais procuradas são as consultas específicas para a Covid-19, seguidas por psiquiatria, dermatologia, clinica geral, ginecologia e endocrinologia.

 Iniciamos também o atendimento de 50 mil consultas por telemedicina para caminhoneiros de todo Brasil, que é uma parceria com o projeto Estrada para a Saúde da CCR, focado na saúde do caminhoneiro e dúvidas relativas ao coronavírus. Este projeto deve se estender pelo menos até outubro.

Os benefícios que os profissionais e pacientes conseguiram perceber nessa modalidade de atendimento e a segurança na prática médica deverão sustentar a telemedicina no que estamos chamando de Novo Normal Pós Pandemia.  A possibilidade de acesso rápido e fácil, o menor custo para o cliente e para o prestador (eficiência), e a efetividade das intervenções, desde que respeitados protocolos clínicos, segurança da informação e a certificação digital, são atributos dos quais não deveremos abrir mão.

Dr. Felipe Folco

Diretor de Práticas Assistenciais, Cia. da Consulta

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